GUIA ESPECIALIZADO
Quantos BTU preciso?
Dimensione pela carga térmica da divisão, não apenas por uma tabela simplificada de metros quadrados.
DIMENSIONAMENTO
Um guia para perceber a carga térmica — não apenas os metros quadrados

01 · METODOLOGIA
O que estamos realmente a tentar calcular?
Para manter a temperatura, o ar condicionado precisa de retirar aproximadamente a mesma quantidade de calor que entra ou é produzida no espaço. Essa carga térmica resulta da transmissão através de paredes e cobertura, radiação solar através do vidro, infiltrações, pessoas e aparelhos elétricos.
Os principais fabricantes usam regras rápidas por área apenas como primeira aproximação, normalmente corrigidas por exposição solar, isolamento, altura e janelas. Um cálculo técnico rigoroso utiliza propriedades construtivas, áreas de cada elemento, temperaturas de projeto, renovação de ar e ganhos internos.
Para uma ferramenta de pré-seleção destinada ao consumidor, adotámos um método intermédio: uma base de carga da envolvente por área, corrigida por altura e isolamento, e adicionamos explicitamente ganhos solares pelas janelas e ganhos internos.
02 · CALCULADORA INDICATIVA
Estime a capacidade necessária
Introduza as características reais da divisão. O simulador mostra a carga calculada, uma faixa de ±10% e o escalão comercial imediatamente acima dessa faixa.
03 · SOL, ORIENTAÇÃO E VIDRO
Porque é que uma janela a poente pode mudar tudo
A radiação solar que atravessa o vidro transforma-se em calor no interior. Fachadas a poente são críticas no verão porque recebem radiação intensa ao final da tarde, quando a temperatura exterior e as superfícies do edifício já estão elevadas.
A nossa calculadora pede a área efetiva de vidro porque uma janela de 1,5 m² não deve ter o mesmo peso que uma fachada envidraçada de 8 m². Também distingue proteção solar exterior de interior. Um estore exterior bloqueia grande parte da radiação antes de esta atravessar o vidro; uma cortina interior atua depois de a energia já ter entrado no vão.
Se a divisão tiver vidros em várias orientações, use a orientação que mais contribui para o pico de calor ou faça simulações conservadoras.
04 · ISOLAMENTO, ALTURA E COBERTURA
Uma casa recente e um último piso antigo não têm a mesma carga
O isolamento reduz o fluxo de calor através da envolvente. Coberturas expostas recebem radiação direta durante horas e podem tornar-se uma importante fonte de ganho térmico. Por isso, o último piso é tratado separadamente.
O pé-direito também importa: uma divisão de 20 m² com 3,2 m tem 64 m³; com 2,4 m tem apenas 48 m³. A calculadora corrige a base proporcionalmente em relação aos 2,5 m de referência.
Se não sabe classificar o isolamento, use “normal”. Reserve “muito bom” para construções recentes ou comprovadamente eficientes e “muito fraco” para situações claramente desfavoráveis.

05 · GANHOS INTERNOS
Pessoas e eletrónica também aquecem a divisão
Uma pessoa em atividade ligeira liberta calor sensível e latente. Para uma estimativa simples, o simulador considera cerca de 120 W por pessoa além do primeiro ocupante, assumindo que a base residencial já inclui uma ocupação mínima.
A eletricidade consumida por computadores, televisores, monitores, consolas e iluminação acaba quase toda sob a forma de calor dentro do espaço. Por isso, se tem um computador de trabalho de 300 W e dois monitores, faz sentido introduzir aproximadamente a carga elétrica média durante a utilização.
Não use esta ferramenta para cozinhas profissionais, ginásios, lojas muito ocupadas, salas de servidores ou outros espaços com cargas internas elevadas. Esses casos justificam cálculo dedicado.
06 · EXEMPLOS
O mesmo número de metros quadrados pode dar resultados muito diferentes
Quarto favorável
2,5 m, bom isolamento, norte, 2 m² de vidro com estore exterior, 2 pessoas, 100 W de eletrónica.
Ordem de grandeza: ~1,4–1,8 kW~4.800–6.100 BTU/h
Na prática escolheria um escalão comercial acima da carga calculada.
Sala normal
2,5 m, isolamento normal, este, 4 m² de vidro, proteção interior, 2 pessoas, 250 W de eletrónica.
Ordem de grandeza: ~2,2–2,7 kW~7.500–9.200 BTU/h
9.000 BTU pode ser suficiente; condições piores justificam subir.
Último piso a poente
2,7 m, isolamento fraco, 6 m² de vidro sem proteção exterior, cobertura exposta, 3 pessoas, 300 W de cargas.
Ordem de grandeza: ~3,2–4,0 kW~10.900–13.600 BTU/h
É um cenário em que 12.000 BTU deixa de ser “demais” para apenas 20 m².
07 · ESCALÕES COMERCIAIS
Como ler as capacidades mais comuns
| BTU/h | kW aprox. | Como interpretar |
|---|---|---|
| 7.000 | 2,05 | Divisões pequenas e condições favoráveis. |
| 9.000 | 2,64 | Quartos, escritórios e salas pequenas/médias quando a carga é moderada. |
| 10.000 | 2,93 | Escalão intermédio disponível em alguns portáteis. |
| 12.000 | 3,52 | Muito comum em portáteis de média capacidade; pode servir salas e espaços mais exigentes. |
| 14.000 | 4,10 | Para cargas superiores, dentro dos limites práticos do formato portátil. |
Não transformamos esta tabela numa equivalência rígida de m² porque isso apagaria precisamente os fatores que explicámos acima.
08 · LIMITES DO CÁLCULO
Quando deve desconfiar do resultado
- Divisões comunicantes ou open space muito aberto;
- tetos muito altos ou mezzanines;
- fachadas envidraçadas extensas;
- cozinhas em utilização;
- muitos computadores/equipamentos;
- lojas, restaurantes e ocupação variável;
- necessidade de climatizar várias divisões com um só portátil;
- condições construtivas desconhecidas ou extremas.
FONTES TÉCNICAS